O calendário da reforma não é uma única data de virada. A empresa precisa lidar com convivência de tributos e mudanças em documentos, sistemas e opções fiscais. O cronograma executivo deve separar o que altera pagamento do que exige adaptação operacional.
2026: preparar e testar
O ano de teste prevê CBS de 0,9% e IBS de 0,1%, com dispensa de recolhimento nas condições legais e operacionais aplicáveis. Isso não autoriza concluir que não há trabalho a fazer: documentos e obrigações seguem regras específicas, com tratamento próprio para o Simples.
Use esse período para identificar rejeições, qualidade de cadastro e capacidade de conciliação. Testar apenas uma nota sem erro não demonstra que devoluções, descontos, operações especiais e integrações estão corretos.
2027 e 2028: a primeira mudança relevante de cobrança
Em 2027, a CBS substitui PIS e Cofins segundo a transição legal. O IBS ainda tem dimensão inicial, enquanto ICMS e ISS continuam presentes. Também há alterações no IPI e entrada do Imposto Seletivo conforme suas regras.
Não carregue automaticamente para 2027 uma alíquota de teste de 2026. Tampouco aplique a carga futura integral a um orçamento desse período. Cada projeção deve identificar o ano e o tratamento correspondente.
De 2029 a 2033: convivência exige controle
A substituição de ICMS e ISS pelo IBS se intensifica de 2029 a 2032. Em 2033, o novo modelo de consumo alcança sua etapa integral. A transição federativa de repartição de receitas tem horizonte distinto e não deve ser confundida com o calendário da empresa.
Contratos de vários anos atravessam mais de uma fase. Por isso, vale construir uma projeção por exercício, com premissas de atualização e cláusulas que permitam discutir efeitos demonstrados.
Um contrato de 36 meses
Um contrato iniciado em 2027 pode alcançar o começo da substituição mais intensa dos tributos locais em 2029. O orçamento deve explicar o tratamento de cada ano, evitando usar uma alíquota congelada para todo o período ou supor que o aumento nominal será integralmente repassado.
O que conferir na sua empresa
- Separar obrigações de 2026 e cobrança de 2027.
- Projetar contratos por exercício.
- Revisar cronogramas técnicos de cada documento.
Guarde premissas, período analisado, documentos utilizados, responsável pela análise, fonte aplicável e protocolo quando houver. Isso permite revisar a escolha se a regra ou a operação mudar.
Dúvidas relacionadas
ICMS e ISS acabam em 2027?
Não. A substituição é gradual e alcança sua etapa final em 2033.
Posso esperar 2033 para adaptar meus sistemas?
Não. A transição já exige preparação e obrigações em etapas anteriores.
Fontes oficiais para conferir
Referências usadas neste guia. Consulte também alterações posteriores a 16 de setembro de 2026 antes de tomar uma decisão.
- Lei Complementar 214/2025 — texto consolidado
- Decreto 12.955/2026 — Regulamento da CBS
- Resolução CGIBS 6/2026 — Regulamento do IBS
- Receita Federal — orientações para a reforma em 2026
Conteúdo educativo baseado nas referências indicadas. A aplicação à sua empresa exige análise dos documentos e revisão profissional. Critérios editoriais.